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domingo, 27 de outubro de 2024

Inteligência artificial já superou os humanos em prever o futuro financeiro

Os analistas financeiros que se cuidem. O GPT-4, da Open AI, superou os humanos ao analisar demonstrações financeiras e prever o desempenho futuro de uma empresa — palavra de três pesquisadores da Escola de Negócios Booth, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Lançado em março de 2023, o sistema alcança uma precisão de 60% em questões nas quais os profissionais de carne e osso tendem a ficar próximos dos 50%. E isso acontece mesmo quando a inteligência artificial (IA) não recebe nenhuma narrativa ou informação específica sobre o setor. “Para explorar a vantagem relativa de um LLM em comparação com analistas humanos, examinamos casos em que os analistas humanos provavelmente teriam dificuldades para prever lucros com precisão”, escrevem Alex Kim, Maximiliano Muhn e Valeri Nikolaev, no artigo recém-publicado "Financial Statement Analysis with Large Language Models". “Em particular, identificamos casos em que as previsões dos analistas são provavelmente tendenciosas ou ineficientes. Também consideramos casos nos quais os analistas tendem a discordar sobre os lucros futuros”, completam os especialistas. LLM é o modelo de aprendizagem de linguagem adotado pela empresa liderada por Sam Altman. Em 54 páginas, o estudo da escola Booth mostra que as previsões feitas pelo GPT-4 não derivam de sua memória de treinamento. “Em vez disso, descobrimos que o LLM gera insights narrativos úteis sobre o desempenho futuro de uma empresa”, defendem Kim, Muhn e Nikolaev. As estratégias de negociações baseadas nas previsões do GPT-4 alcançam um índice de Sharpe de 3,36 — o ideal é acima de 1. Ferramenta valiosa para investidores e gestores, a medida, desenvolvida pelo economista William Forysth Sharpe, vencedor do prêmio Nobel, ajuda a avaliar não apenas o retorno absoluto de um investimentos, mas também o retorno ajustado ao risco. Conforme a pesquisa dos estudiosos de Booth, a “perspicácia” e “habilidade” da IA também está demonstrada pelo alcance dos indicadores alfas, usados para medir o excesso de retorno de um fundo de investimentos. Nesse segmento, o GPT-4 atingiu 84 pontos — se o alfa de qualquer ativo ou fundo for superior a zero significa que obteve um retorno acima do esperado. “Descobrimos que a estratégia ‘long-short’ baseada nas previsões do GPT superam o mercado e geram alfas e índices de Sharpe significativos”, concluem os três pesquisadores. Apesar do sucesso da IA generativa da OpenAI em análises financeiras, no início do mês, em uma sessão de perguntas e respostas na Universidade Stanford, Sam Altman definiu o ChatGPT, “na melhor das hipóteses, como levemente embaraçoso” e o GPT-4, como “o modelo mais idiota”. “Posso dizer agora com um grau de certeza científica que o GPT-5 será muito mais inteligente que o GPT-4”, afirmou o CEO. E que o GPT-6 fará o mesmo — essa é, segundo ele, a “natureza” do desenvolvimento da IA. Recentemente, o estudo “Industry Advisory Services Annual Survey”, da gestora Franklin Templeton, ao qual o NeoFeed teve acesso com exclusividade no Brasil, mostrou que a inteligência artificial está próxima de encontrar assimetria entre ativos com mais velocidade do que a capacidade de leitura dos gestores. Com isso, a IA será mais eficiente em gerar alfa (o retorno acima do benchmark) para os investidores. Que não apenas os analistas financeiros, mas todos nós estejamos preparados para o futuro que a OpenAI nos reserva.
Fique Por Dentro
As previsões do GPT-4 não derivam de sua memória de treinamento A precisão da IA é de 60% Pensando já no GPT-5, Sam Altman define o GPT-4 como o modelo "mais idiota
https://w3b.com.br/inteligencia-artificial-ja-superou-os-humanos-em-prever-o-futuro-financeiro/?feed_id=14432&_unique_id=671e9a64f1f8c

Para professor da Wharton a IA está longe do aspecto psicológico, algo importante para as finanças

O avanço da inteligência artificial (IA) tem levado a uma série de discussões a respeito do futuro dos empregos, em diversas áreas, entre elas a de gestão de investimentos. Com a chegada de ferramentas poderosas de análise de dados, capazes de interpretar e oferecer respostas a dúvidas de usuários, a profissão de assessor foi colocada na berlinda, diante da possibilidade das pessoas delegarem as decisões de investimentos para as máquinas. Esse risco, porém, não parece real, segundo Michael Roberts, professor de finanças da Wharton School, mais antiga e uma das mais renomadas escolas de negócios do mundo, da Universidade da Pensilvânia. “O que vejo é o aumento da simbiose entre assessores e IA, e não sei se os assessores serão completamente substituídos”, diz ele em entrevista ao NeoFeed. Com 28 anos de experiência na academia, sendo três deles dedicados a estudar o impacto da IA no segmento, com destaque para a educação financeira, ele entende que a tecnologia vem apresentando forte evolução, mas ainda não tem capacidade suficiente para ser uma fonte de recomendação de investimentos. Um dos palestrantes do 56º Fórum Global da Wharton, evento anual que reúne diversos executivos e professores, que pela primeira vez será realizado em São Paulo, nos dias 7 e 8 de junho, Roberts avalia que o fator humano deve continuar tendo peso na hora de uma decisão de investimentos, mesmo com o avanço das ferramentas de IA. “Não sei se a IA chegará num lugar em que possa lidar com o aspecto psicológico, algo importante para as finanças”, diz o estudioso. Acompanhe, a seguir, os principais trechos da entrevista: A IA poderá automatizar as decisões de investimentos pelo lado dos clientes e dos assessores financeiros? No momento em que estamos, a resposta é um inequívoco não. Eu não delegaria nada relevante a um chatbox e não vejo assessores de investimentos em grande perigo neste momento. Mas mudanças significativas estão por vir, o que nos faz perguntar o tamanho dessas mudanças e quando elas virão. Em que estágio está a IA para a gestão de investimentos? Ela já é capaz de oferecer insights e sugestões de decisão para investimentos? Neste momento, temos ferramentas em que podemos discutir coisas, mas não podemos nos apoiar para tomadas de decisões. A IA tem um grande conhecimento de finanças. Se você fizer testes comuns sobre conhecimentos financeiros, essas ferramentas vão muito bem. O problema é que nossas decisões financeiras não podem ser resumidas a esses testes. Existe um hiato entre a capacidade dessas ferramentas de responderem perguntas financeiras simples e a habilidade de ajudarem a tomar decisões significativas nas nossas vidas.
"Não vejo a IA como um substituto de pessoas, mas uma ferramenta muito poderosa para acelerar nossos processos de decisões"
Quais são os principais desafios para a adoção da IA, neste momento, no caso de decisões de gestão de investimentos? São os dados e os modelos das ferramentas. Ainda é preciso mais dados e dados confiáveis. E vemos os modelos melhorando de forma exponencial. Mas as pessoas confiarão em delegar suas decisões financeiras para um chatbox, neste momento, de forma completa? A chave para utilizar IA de forma efetiva é saber o que e como perguntar e saber como interpretar as respostas. Eu não vejo a IA como um substituto de pessoas, mas uma ferramenta muito poderosa para acelerar nossos processos de decisões. Quais as principais mudanças que a IA trará para o mundo dos investimentos? Ele substituirá os assessores? Pelo lado dos profissionais de investimentos, muitos já estão utilizando IA para automatizar muitas das atividades diárias. No caso do passo seguinte, de confiar na IA para ajudar no aconselhamento de clientes, não estamos nessa fase. Ainda existe muita informação pouco confiável vindo, e eu vejo isso na minha experiência em desenvolver um chatbox financeiro. O que vejo é o aumento da simbiose entre assessores e IA, e não sei se os assessores serão completamente substituídos. E no caso dos consumidores? Para onde estamos indo, se é que não estamos lá, é utilizar a IA para engajar com os assessores, saber quais perguntas fazer, como analisar as propostas dos assessores, os riscos dessas propostas, ajudando na educação financeira. As pessoas serão cortadas e as decisões serão delegadas para a IA? Acho que não dá para olhar para os investimentos fora do contexto da renda e da poupança, da estabilidade das pessoas no trabalho, outras fontes de renda, da vida das pessoas. Eu não sei quando e se chegaremos num momento em que o computador lida com tudo, mas não será no futuro próximo. O que parece é que, tanto do lado dos clientes como dos assessores, a IA será uma fonte de insights, informações, mas não uma ferramenta para decisões… Ela é uma ferramenta que ajudará com decisões, mas não uma para quem podemos delegar decisões neste momento. Não estamos num ponto em que podemos delegar decisões importantes para as ferramentas de IA. E elas estão melhorando em ajudar nas decisões. A pergunta que ronda a cabeça de todos é se ela se tornará uma ferramenta para quem poderemos delegar decisões. O que os humanos fazem que ainda não é possível ser substituído pelas máquinas em termos de assessoramento de investimentos? Um aspecto importante da função dos assessores de investimentos, de maneira geral, é a parte psicológica, sendo empático e ouvindo os clientes. Do ponto de vista de implementação dessas tecnologias, não está muito claro que podemos automatizar muitos pontos básicos da gestão de investimentos. Ter alguém para quem possa ligar depois que os mercados fecharam e meu portfólio tomou um tombo, que possa me acalmar, explicar a situação tem muito valor. Não sei se a IA chegará num lugar em que possa lidar com o aspecto psicológico, algo importante para as finanças.
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terça-feira, 13 de agosto de 2024

A corrida é para competir com o ChatGPT

A corrida é para competir com o ChatGPT

Em mais um exemplo de que os investidores não vão poupar recursos para financiar a onda da inteligência artificial, Elon Musk acaba de levantar US$ 6 bilhões para a xAI, empresa do fundador da Tesla, SpaceX e Twitter que tem a ambição de concorrer com a OpenAI, a desenvolvedora do ChatGPT. A rodada série B avaliou a companhia, que tem menos de um ano de vida, em US$ 18 bilhões e trouxe para a base de acionistas diversos fundos de renome no Vale do Silício. Entre eles, Andreessen Horowitz, Sequoia Capital, Valor Equity Partners, Vy Capital e Fidelity Management & Research, bem como o príncipe saudita al-Waleed bin Talal e Kingdom Holding. O dinheiro será usado para desenvolver “os primeiros produtos da xAI ao mercado, construir infraestrutura avançada e acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias futuras”, disse a xAI, em um comunicado. A rodada marca a corrida que acontece ao redor do mundo para financiar projetos de inteligência artificial. As principais startups de IA arrecadaram bilhões de dólares nos últimos anos para financiar seus projetos e comprar recursos de computação para treinar modelos avançados de linguagem que alimentam chatbots de IA generativa. A OpenAI, por exemplo levantou US$ 13 bilhões com Microsoft. E a Anthropic, considerada a rival da ChatGPT na Europa, captou mais de US$ 6 bilhões. Musk tenta recuperar o atraso em relação aos seus dois principais rivais. O empresário lançou publicamente a xAI em julho do ano passado. Quatro meses depois, apresentou o chatbot Grok e o disponibilizou para os assinantes de sua plataforma de mídia social, a X (antigo Twitter). No início deste ano, mostrou seu modelo mais recente de IA, chamado de Grok-1.5. O dono da Tesla é um dos cofundadores da OpenAI como um laboratório sem fins lucrativos em 2015 com Sam Altman, seu atual presidente. Mas deixou a empresa e, recentemente, processou a OpenAI e Altman, alegando que eles haviam abandonado a missão inicial da empresa em busca de lucro. Esse é mais um exemplo da loucura que tem envolvido os aportes em empresas de inteligência artificial. Na semana passada, a americana Scale AI captou US$ 1 bilhão em rodada liderada pela Accel e com a participação de Nvidia, Amazon, Intel Capital, AMD e Meta. Com o dinheiro novo, a Scale AI, que atua com rotulagem de dados, dobrou o seu valuation, que passou de US$ 7 bilhões, para US$ 14 bilhões. A francesa H, que antes era conhecida como Holistic AI, anunciou também uma rodada seed de US$ 220 milhões (isso mesmo, não está faltando uma vírgula para diminuir o valor). A H, que trabalha em novos modelos de IA, conseguiu esse volume de dinheiro por conta da equipe de fundadores. Charles Kantor, cofundador e CEO da startup, era pesquisador universitário em Stanford. E os outros quatro fundadores trabalharam anteriormente para a DeepMind, a empresa de IA do Google.
https://w3b.com.br/a-corrida-e-para-competir-com-o-chatgpt/?feed_id=9977&_unique_id=66bbfbf32fbb7

sábado, 3 de agosto de 2024

Google considera busca paga “movida” a IA

Em um movimento relacionado com iniciativas voltadas para a inteligência artificial, o Google está considerando fazer uma grande mudança em seu modelo de negócio. A companhia de Mountain View está avaliando começar a cobrar pelo uso de ferramentas “premium” em seu buscador. A ideia é gerar uma nova fonte de receita para o serviço, hoje dependente de anúncios. Ao cobrar pelo uso do buscador, o Google faria a sua primeira mudança no modelo desde quando passou a gerar receita com a estratégia de links patrocinados. No ano passado, o Google reportou que o buscador e os anúncios renderam US$ 175 bilhões em receita. O montante representa mais da metade do valor total que a companhia faturou em 2023. Com inteligência artificial, o Google poderia oferecer respostas mais precisas às buscas dos usuários. O desafio para a empresa é que esse processo envolve mais dados computacionais – o que aumenta o custo. A ideia é que o buscador ainda continue sendo oferecido de forma gratuita. Já os anúncios seguiriam sendo exibidos mesmo para os assinantes de um possível novo serviço. Ainda assim, há um temor de que ao gerar respostas mais precisas com inteligência artificial, o Google jogue contra os anunciantes ao diminuir o acesso aos links patrocinados. A adoção de inteligência artificial no buscador parece um passo natural para a empresa. Nos últimos meses, o Google começou a estudar a possibilidade de oferecer ferramentas premium em serviços como Gmail e Docs, segundo o Financial Times (FT). Google considera busca paga “movida” a IA Essa seria também uma resposta à iniciativa da Microsoft de adicionar inteligência artificial ao Bing. Apesar de isso ter sido feito no ano passado, o FT informa que o buscador da companhia fundada por Bill Gates não ganhou ainda participação de mercado com essa estratégia. O Google ainda está envolvido no desenvolvimento da tecnologia e os testes estão ocorrendo desde maio. Ainda não há previsão sobre o lançamento de uma ferramenta deste tipo.
Fique Por Dentro
Serviço premium adicionaria funções de inteligência artificial ao buscador No ano passado a companhia faturou US$ 175 bilhões com anúncios Maior concorrente, a Microsoft já adicionou IA ao buscador Bing Google considera busca paga “movida” a IA
https://w3b.com.br/google-considera-busca-paga-movida-a-ia/?feed_id=12541&_unique_id=66aea2c30dfc7