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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Nvidia valendo US$ 10 trilhões (isso mesmo!) em 2030?

Jensen Huang, cofundador e CEO da Nvidia, aumentou sua fortuna em US$ 49,6 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano apenas com a valorização das ações da multinacional de tecnologia que desponta como uma das vencedoras da corrida da inteligência artificial. Mas, ao que tudo indica, a Nvidia - e a fortuna de Huang - estão longe do topo. De acordo com Beth Kindig, analista de tecnologia do I/O Fund, que é especializado em growth de empresas de tecnologia, a projeção é que a Nvidia chegue a um valor de mercado de US$ 10 trilhões em 2030 - um crescimento de 250% em seis anos. A ação da Nvidia vem em uma escalada crescente. Neste ano, o papel acumula valorização de, aproximadamente, 260% (o S&P500 está em queda de cerca de 3% no ano). Em 2023, o papel negociado na Nasdaq mais do que dobrou de valor. O valor de mercado da Nvidia ultrapassou US$ 2,8 trilhões e a empresa passou a ser a terceira maior do mundo, atrás de Microsoft (US$ 3,2 trilhões) e Apple (US$ 2,9 trilhões). Para a analista do I/O Fund, o chip de próxima geração da Nvidia GPU Blackwell impulsionará outra etapa de crescimento massivo para a fabricante de chips, juntamente com sua plataforma de software CUDA e sua exposição ao mercado automotivo. Kindig estima que o GPU Blackwell superará seu antecessor, o H100, e gerará receita de data center de US$ 200 bilhões até o final do ano fiscal de 2026 da Nvidia. Em entrevista à CNBC, a especialista do I/O Fund afirmou que ainda é muito cedo para avaliar a Nvidia frente a tudo o que está por vir. Kindig disse que as estimativas para o mercado total endereçável de data centers de inteligência artificial (IA) aumentarão para US$ 400 bilhões até 2027 e para US$ 1 trilhão até 2030. E serão em grande parte capturadas pela Nvidia e não por seus maiores concorrentes, AMD ou Intel. “A Nvidia ficará com a maior parte disso”, disse Kindig, explicando que isso se deve em grande parte às ofertas de software integrados aos seus produtos de hardware. Ela complementa: “Semelhante ao que ocorreu com o iOS, que prendeu as pessoas ao iPhone porque os desenvolvedores estavam desenvolvendo aplicativos para ele, A mesma coisa está acontecendo com a Nvidia. A plataforma CUDA é a IA que os engenheiros estão aprendendo a programar e isso ajuda a prendê-los. Essa combinação, no momento, estou chamando de fosso impenetrável.” Para completar, Kindig disse que os chips de IA que estão sendo desenvolvidos internamente em empresas de tecnologia de grande porte como Amazon e Alphabet nunca competirão diretamente com a Nvidia. “Eles não vão comercializar e vender chips da mesma forma que a Nvidia faz. A Nvidia tem uma pista aberta”, concluiu Kindig.
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domingo, 27 de outubro de 2024

Inteligência artificial já superou os humanos em prever o futuro financeiro

Os analistas financeiros que se cuidem. O GPT-4, da Open AI, superou os humanos ao analisar demonstrações financeiras e prever o desempenho futuro de uma empresa — palavra de três pesquisadores da Escola de Negócios Booth, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Lançado em março de 2023, o sistema alcança uma precisão de 60% em questões nas quais os profissionais de carne e osso tendem a ficar próximos dos 50%. E isso acontece mesmo quando a inteligência artificial (IA) não recebe nenhuma narrativa ou informação específica sobre o setor. “Para explorar a vantagem relativa de um LLM em comparação com analistas humanos, examinamos casos em que os analistas humanos provavelmente teriam dificuldades para prever lucros com precisão”, escrevem Alex Kim, Maximiliano Muhn e Valeri Nikolaev, no artigo recém-publicado "Financial Statement Analysis with Large Language Models". “Em particular, identificamos casos em que as previsões dos analistas são provavelmente tendenciosas ou ineficientes. Também consideramos casos nos quais os analistas tendem a discordar sobre os lucros futuros”, completam os especialistas. LLM é o modelo de aprendizagem de linguagem adotado pela empresa liderada por Sam Altman. Em 54 páginas, o estudo da escola Booth mostra que as previsões feitas pelo GPT-4 não derivam de sua memória de treinamento. “Em vez disso, descobrimos que o LLM gera insights narrativos úteis sobre o desempenho futuro de uma empresa”, defendem Kim, Muhn e Nikolaev. As estratégias de negociações baseadas nas previsões do GPT-4 alcançam um índice de Sharpe de 3,36 — o ideal é acima de 1. Ferramenta valiosa para investidores e gestores, a medida, desenvolvida pelo economista William Forysth Sharpe, vencedor do prêmio Nobel, ajuda a avaliar não apenas o retorno absoluto de um investimentos, mas também o retorno ajustado ao risco. Conforme a pesquisa dos estudiosos de Booth, a “perspicácia” e “habilidade” da IA também está demonstrada pelo alcance dos indicadores alfas, usados para medir o excesso de retorno de um fundo de investimentos. Nesse segmento, o GPT-4 atingiu 84 pontos — se o alfa de qualquer ativo ou fundo for superior a zero significa que obteve um retorno acima do esperado. “Descobrimos que a estratégia ‘long-short’ baseada nas previsões do GPT superam o mercado e geram alfas e índices de Sharpe significativos”, concluem os três pesquisadores. Apesar do sucesso da IA generativa da OpenAI em análises financeiras, no início do mês, em uma sessão de perguntas e respostas na Universidade Stanford, Sam Altman definiu o ChatGPT, “na melhor das hipóteses, como levemente embaraçoso” e o GPT-4, como “o modelo mais idiota”. “Posso dizer agora com um grau de certeza científica que o GPT-5 será muito mais inteligente que o GPT-4”, afirmou o CEO. E que o GPT-6 fará o mesmo — essa é, segundo ele, a “natureza” do desenvolvimento da IA. Recentemente, o estudo “Industry Advisory Services Annual Survey”, da gestora Franklin Templeton, ao qual o NeoFeed teve acesso com exclusividade no Brasil, mostrou que a inteligência artificial está próxima de encontrar assimetria entre ativos com mais velocidade do que a capacidade de leitura dos gestores. Com isso, a IA será mais eficiente em gerar alfa (o retorno acima do benchmark) para os investidores. Que não apenas os analistas financeiros, mas todos nós estejamos preparados para o futuro que a OpenAI nos reserva.
Fique Por Dentro
As previsões do GPT-4 não derivam de sua memória de treinamento A precisão da IA é de 60% Pensando já no GPT-5, Sam Altman define o GPT-4 como o modelo "mais idiota
https://w3b.com.br/inteligencia-artificial-ja-superou-os-humanos-em-prever-o-futuro-financeiro/?feed_id=14432&_unique_id=671e9a64f1f8c

Para professor da Wharton a IA está longe do aspecto psicológico, algo importante para as finanças

O avanço da inteligência artificial (IA) tem levado a uma série de discussões a respeito do futuro dos empregos, em diversas áreas, entre elas a de gestão de investimentos. Com a chegada de ferramentas poderosas de análise de dados, capazes de interpretar e oferecer respostas a dúvidas de usuários, a profissão de assessor foi colocada na berlinda, diante da possibilidade das pessoas delegarem as decisões de investimentos para as máquinas. Esse risco, porém, não parece real, segundo Michael Roberts, professor de finanças da Wharton School, mais antiga e uma das mais renomadas escolas de negócios do mundo, da Universidade da Pensilvânia. “O que vejo é o aumento da simbiose entre assessores e IA, e não sei se os assessores serão completamente substituídos”, diz ele em entrevista ao NeoFeed. Com 28 anos de experiência na academia, sendo três deles dedicados a estudar o impacto da IA no segmento, com destaque para a educação financeira, ele entende que a tecnologia vem apresentando forte evolução, mas ainda não tem capacidade suficiente para ser uma fonte de recomendação de investimentos. Um dos palestrantes do 56º Fórum Global da Wharton, evento anual que reúne diversos executivos e professores, que pela primeira vez será realizado em São Paulo, nos dias 7 e 8 de junho, Roberts avalia que o fator humano deve continuar tendo peso na hora de uma decisão de investimentos, mesmo com o avanço das ferramentas de IA. “Não sei se a IA chegará num lugar em que possa lidar com o aspecto psicológico, algo importante para as finanças”, diz o estudioso. Acompanhe, a seguir, os principais trechos da entrevista: A IA poderá automatizar as decisões de investimentos pelo lado dos clientes e dos assessores financeiros? No momento em que estamos, a resposta é um inequívoco não. Eu não delegaria nada relevante a um chatbox e não vejo assessores de investimentos em grande perigo neste momento. Mas mudanças significativas estão por vir, o que nos faz perguntar o tamanho dessas mudanças e quando elas virão. Em que estágio está a IA para a gestão de investimentos? Ela já é capaz de oferecer insights e sugestões de decisão para investimentos? Neste momento, temos ferramentas em que podemos discutir coisas, mas não podemos nos apoiar para tomadas de decisões. A IA tem um grande conhecimento de finanças. Se você fizer testes comuns sobre conhecimentos financeiros, essas ferramentas vão muito bem. O problema é que nossas decisões financeiras não podem ser resumidas a esses testes. Existe um hiato entre a capacidade dessas ferramentas de responderem perguntas financeiras simples e a habilidade de ajudarem a tomar decisões significativas nas nossas vidas.
"Não vejo a IA como um substituto de pessoas, mas uma ferramenta muito poderosa para acelerar nossos processos de decisões"
Quais são os principais desafios para a adoção da IA, neste momento, no caso de decisões de gestão de investimentos? São os dados e os modelos das ferramentas. Ainda é preciso mais dados e dados confiáveis. E vemos os modelos melhorando de forma exponencial. Mas as pessoas confiarão em delegar suas decisões financeiras para um chatbox, neste momento, de forma completa? A chave para utilizar IA de forma efetiva é saber o que e como perguntar e saber como interpretar as respostas. Eu não vejo a IA como um substituto de pessoas, mas uma ferramenta muito poderosa para acelerar nossos processos de decisões. Quais as principais mudanças que a IA trará para o mundo dos investimentos? Ele substituirá os assessores? Pelo lado dos profissionais de investimentos, muitos já estão utilizando IA para automatizar muitas das atividades diárias. No caso do passo seguinte, de confiar na IA para ajudar no aconselhamento de clientes, não estamos nessa fase. Ainda existe muita informação pouco confiável vindo, e eu vejo isso na minha experiência em desenvolver um chatbox financeiro. O que vejo é o aumento da simbiose entre assessores e IA, e não sei se os assessores serão completamente substituídos. E no caso dos consumidores? Para onde estamos indo, se é que não estamos lá, é utilizar a IA para engajar com os assessores, saber quais perguntas fazer, como analisar as propostas dos assessores, os riscos dessas propostas, ajudando na educação financeira. As pessoas serão cortadas e as decisões serão delegadas para a IA? Acho que não dá para olhar para os investimentos fora do contexto da renda e da poupança, da estabilidade das pessoas no trabalho, outras fontes de renda, da vida das pessoas. Eu não sei quando e se chegaremos num momento em que o computador lida com tudo, mas não será no futuro próximo. O que parece é que, tanto do lado dos clientes como dos assessores, a IA será uma fonte de insights, informações, mas não uma ferramenta para decisões… Ela é uma ferramenta que ajudará com decisões, mas não uma para quem podemos delegar decisões neste momento. Não estamos num ponto em que podemos delegar decisões importantes para as ferramentas de IA. E elas estão melhorando em ajudar nas decisões. A pergunta que ronda a cabeça de todos é se ela se tornará uma ferramenta para quem poderemos delegar decisões. O que os humanos fazem que ainda não é possível ser substituído pelas máquinas em termos de assessoramento de investimentos? Um aspecto importante da função dos assessores de investimentos, de maneira geral, é a parte psicológica, sendo empático e ouvindo os clientes. Do ponto de vista de implementação dessas tecnologias, não está muito claro que podemos automatizar muitos pontos básicos da gestão de investimentos. Ter alguém para quem possa ligar depois que os mercados fecharam e meu portfólio tomou um tombo, que possa me acalmar, explicar a situação tem muito valor. Não sei se a IA chegará num lugar em que possa lidar com o aspecto psicológico, algo importante para as finanças.
https://w3b.com.br/para-professor-da-wharton-a-ia-esta-longe-do-aspecto-psicologico-algo-importante-para-as-financas/?feed_id=14406&_unique_id=671e9a126c942

Sonho antigo da medicina, IA indica o melhor tratamento para pacientes com câncer

Todos os dias, os oncologistas se veem às voltas com a desafiadora decisão de escolher qual é o melhor caminho a seguir no tratamento de seus pacientes. Frequentemente, doentes, com um mesmo perfil e vítimas de um mesmo tipo de tumor, respondem de maneira completamente diferente a um mesmo medicamento. Prever como o paciente reagirá a uma determinada intervenção é um dos maiores desafios da oncologia. Pois bem, a healthtech Valar Labs desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial (IA) capaz de ajudar os médicos nessa tomada de decisão. Batizada Vesta, a ferramenta, por enquanto, está programada para fazer o rastreamento do câncer de bexiga. Globalmente, entre todas as neoplasias, a doença é a quarta mais comum entre os homens e o oitava, entre as mulheres. No Brasil, para o triênio 2023-2025, são esperados 11.370 novos casos, por ano — e 4.595 mortes. Quando a doença é diagnosticada em fases iniciais, as chances de cura são altas. Mas, mesmo nessas situações, um grupo de pacientes não responde à abordagem padrão, a imunoterapia com BCG. Determinar quais deles não são candidatos ao tratamento os poupa dos efeitos colaterais (em geral, severos) e economiza um tempo precioso com uma terapêutica que, mais adiante, se mostraria ineficaz. Na oncologia, quanto mais precoce é o diagnóstico e mais preciso é o tratamento, maior é a probabilidade de cura, sem grandes prejuízos da qualidade de vida do doente. Fundada em 2021, em Palo Alto, na Califórnia, por Anirudh Joshi, Damir Vrabac, Pranav Rajpurkar e Viswesh Krishna, a healthtech acaba de levantar US$ 22 milhões, em uma rodada série A, liderada pelos fundos DCVC e 16Z, com a participação das gestoras PearVC e Andreessen Horowitz. Com o cheque mais recente, o total arrecadado sobe para US$ 26 milhões, segundo a consultoria Crunchbase. O dinheiro será usado para expandir o portfólio da Valar Labs para outros tipos de câncer. Estudos sobre a aplicação da IA em pacientes com tumores pancreáticos já estão em andamento.

Mil pacientes, de quatro continentes

A IA Vesta foi testada em mil pacientes, em quatro continentes. Os resultados dos estudos científicos foram publicados na revista especializada The Journal of Urology, da Associação Americana de Urologia — a aceitação do artigo é um indicativo da qualidade e seriedade dos estudos.
[caption id="" align="alignnone" width="860"]Sonho antigo da medicina Sonho antigo da medicina[/caption] Damir Vrabac (COO), Anirudh Joshi (CEO) e Viswesh Krishna (CTO) fundaram a healthtech em 2021, na Califórnia (Crédito: reprodução valarlabs.com)
[caption id="" align="alignnone" width="860"]Sonho antigo da medicina Sonho antigo da medicina[/caption] Essa é uma amostra de um tecido da bexiga de um paciente com câncer, conforme a imagem é analisada pela IA Vesta (Crédito: reprodução valarlabs.com)
O sistema da Valar Labs funciona em duas etapas. Na primeira, um modelo de visão computacional, treinada em milhares de imagens histológicas de pacientes com câncer, analisa em minúcias o tecido doente. Os patologistas humanos, em geral, por meio de comparações com células sadias, conseguem identificar que há algo de errado com as cancerosas. Mas frequentemente têm dificuldade para medir as diferenças entre elas.

Mais precisão

Na segunda fase, a IA indica se o paciente se beneficiará ou não da imunoterapia com BCG. A precisão, segundo os especialistas, é muito maior do que as métricas usadas atualmente, como a avaliação dos fatores de risco, a cistoscopia (exame endoscópico da bexiga) e a biópsia. Nos estudos da Valar Labs, a Vesta consegue identificar os doentes com o triplo de risco de não responder à imunoterapia com BCG. Apesar do sucesso da IA, o sistema não substitui a decisão do médico — pelo menos, por enquanto, nenhuma tecnologia é capaz assumir o lugar dos profissionais humanos. A Vesta, porém, acena com a possibilidade de tratamentos cada vez mais personalizados; um sonho antigo da medicina
https://w3b.com.br/sonho-antigo-da-medicina-ia-indica-o-melhor-tratamento-para-pacientes-com-cancer/?feed_id=14302&_unique_id=671e94e10f07c

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

No Itaú Unibanco, um olho no crescimento e outro nos novos entrantes

Com a economia brasileira apresentando uma atividade baixa nos últimos anos, o tema do crescimento ganhou relevância dentro do Itaú Unibanco, considerando o peso que o banco tem no mercado brasileiro e o avanço da concorrência vinda de fintechs e bancos digitais para ganho de market share. Para encarar esse cenário, de olho nos próximos 100 anos, o banco entende que o processo de transformação conduzido pela evolução de sua base tecnológica e na troca da visão estratégica, em que a experiência do cliente vem antes dos produtos oferecidos, cria as condições para não ficar refém da macroeconomia. “Esse é um grande desafio [crescimento], porque um banco não consegue estar fora do ambiente econômico onde está inserido”, disse Pedro Moreira Salles, copresidente do conselho de administração do Itaú na quarta-feira, 19 de junho, durante o Itaú Day. "Temos crescido mais que a concorrência tradicional, mas abaixo de quem começa com base muito baixa e hoje cresce mais." Em conversa com Roberto Setubal, com quem divide a presidência do board do Itaú, Moreia Salles afirmou que para aproveitar as janelas de oportunidades da economia, o banco não “pode tirar o olho da questão da eficiência”. “O jogo se dá olhando o numerador e o denominador, tendo a linha de receita crescendo um pouco acima das despesas”, disse Moreia Salles. Para Setubal, o banco tem conseguido estabelecer algumas alavancas de crescimento para os próximos anos, muito ligadas à tecnologia. Ele destacou a criação do superapp para os clientes pessoa física, que vai “incorporar alguns milhões de clientes” à operação, um ganho que deve ser visto nos próximos 12 meses. “Isso vai possibilitar uma aceleração da receita, porque estamos trazendo para a nossa plataforma clientes que tem uma ligação com o banco, mas por um produto como financiamento de imóvel, de carro, cartão de uma financeira que temos sociedade”, disse Setubal. “Ao trazer esses clientes que são monoproduto, podendo oferecer toda nossa gama de produtos, isso vai possibilitar um grande crescimento.” A adoção da inteligência artificial (IA) pelo Itaú também ganhou destaque na conversa entre os copresidentes do conselho. Segundo Moreia Salles, o banco possui 250 projetos de IA, com boa parte deles voltados para ganho de eficiência, mas alguns começam já serem utilizados na ponta. “Mas cada vez mais vemos projetos sendo incorporados na linha de receita, seja na asset, na visão produtos, começando a interagir com o cliente, ou no apoio dado ao cliente”, disse ele. “Quão mais amigável, simples, lógico e transparente for se relacionar com a enorme base de cliente que temos, mais rápido conseguimos fazer a transformação e crescer.” Moreia Salles destacou ainda que um dos riscos para a organização é o “excesso de complexidade” e que os investimentos em tecnologia podem ajudar a companhia a ser mais ágil . “No caso da tecnologia, saímos da fase de simplesmente consertar o legado, com 60% das áreas de produtos e serviços praticamente na nuvem, ganhando agilidade e capacidade de resposta”, disse. “Isso pode abrir uma vantagem competitiva para nós, que começamos a fazer isso há tempos.” O tema do crescimento também foi assunto de Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, durante a sessão de perguntas e respostas, na parte final do evento. Segundo ele, o banco está bem posicionado nos diversos segmentos em que atua e que a palavra de ordem é crescer, mas com qualidade, levando em conta o cenário macro. “Não é crescer a carteira [de crédito] e olhar a receita crescendo se o custo de crédito vir numa proporção muito maior e, por tanto, fazer uma má alocação do capital”, disse. “Olhamos o todo, o cliente e vemos qual a real capacidade que temos de crescer de forma sustentável.” Maluhy disse ainda que o Itaú não quer ter ciclos de expansão de curto prazo, com crescimento vertiginoso e, na sequência, ser obrigado a explicar o custo do crédito, a margem financeira líquida. “Isso significa crescer quando tem oportunidade”, disse. Ele destacou ainda que continua confiante em cumprir com o guidance de crescimento de carteira estabelecido para o ano, ainda que no primeiro trimestre, em termos anualizados, o Itaú tenha tido um desempenho um pouco abaixo do esperado. A expectativa é de que a carteira de crédito total expanda entre 6,5% e 9,5% no ano. Os presidentes do conselho de administração do Itaú destacaram ainda a questão dos dividendos, afirmando que se trata de uma discussão permanente num momento em que o banco trabalha para crescer, de olho no longo prazo. Segundo Moreira Salles, o banco não tem intenção de reter recursos “se não tiver uso alternativo melhor que distribuir aos acionistas” ou se não tiver um crescimento muito robusto do crédito. Neste caso, a distribuição pode ocorrer via dividendos ou recompra de ações. “Nossos acionistas podem contar com isso à medida que o banco continuar performando nos patamares que está performando”, disse. Maluhy, por sua vez, afirmou que “tudo leva a crer” que o banco deve fazer mais um pagamento extraordinário de dividendos, considerando temas como a perspectiva para a economia, as obrigações regulatórias e o nível de capital necessário para os próximos 12 meses. Ele não deu pistas de quanto poderá ser pago, nem o prazo.
https://w3b.com.br/no-itau-unibanco-um-olho-no-crescimento-e-outro-nos-novos-entrantes/?feed_id=14146&_unique_id=6706b8ee75872

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Como Scarlett Johansson “calou” a inteligência artificial da OpenAI

A atriz americana Scarlett Johansson e a empresa de inteligência artificial OpenAI ficaram perto de se enfrentar em uma disputa judicial. Um acordo firmado entre as partes na segunda-feira, 20 de maio, porém, impediu que a contenda fosse adiante. A questão envolve uma reclamação da atriz em relação ao uso indevido de sua voz em um dos produtos que estão sendo desenvolvidos pela OpenAI, a dona do ChatGPT. Recentemente, a OpenAI divulgou uma versão demonstrativa de como a Sky, sua ferramenta de inteligência artificial com respostas em voz, iria funcionar. A voz utilizada na demonstração era bastante semelhante à de Johansson. Segundo a OpenAI, a companhia contratou atores para produzir a voz utilizada pela ferramenta. A voz utilizada era, portanto, de outra atriz. O problema é que Johansson foi procurada em duas ocasiões por Sam Altman, CEO da OpenAI, para ceder sua voz para a inteligência artificial. Ela declinou o primeiro convite por razões pessoais e não respondeu à segunda tentativa. Altman já declarou publicamente que a companhia vem se inspirando na voz utilizada no filme “Her” (2013), no qual o protagonista (interpretado pelo ator Joaquin Phoenix) se apaixona por uma assistente de voz de inteligência artificial (interpretada por Johansson). Após a divulgação da versão demo da Sky, os advogados da atriz decidiram enviar duas cartas para a companhia pedindo mais esclarecimentos. Foi o suficiente para a OpenAI desistir de usar a voz. Mesmo que ela não fosse, de fato, de Johansson. A questão reacenda a discussão sobre as leis de privacidade na era da inteligência artificial. Em um artigo recente publicado no NeoFeed, a advogada Patrícia Peck lembra que as autoridades reguladoras ao redor do mundo já estão questionando a legislação atual.
https://w3b.com.br/como-scarlett-johansson-calou-a-inteligencia-artificial-da-openai/?feed_id=14085&_unique_id=670592203666f

A Nvidia não se cansa de surpreender e multiplica lucro por sete no trimestre

Em outro trimestre com resultados agressivos, a Nvidia viu seu lucro líquido crescer mais de sete vezes nos três primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Já a receita mais do que triplicou no mesmo período. Em balanço divulgado na quarta-feira, 22 de maio, após o fechamento da bolsa de valores americana, a fabricante de chips reportou lucro líquido de US$ 14,8 bilhões no período, alta de 628% ante o início de 2023. A receita ultrapassou US$ 26 bilhões, acumulando alta de 262% no trimestre. Os resultados foram impulsionados novamente pelo boom da inteligência artificial, que transformou a Nvidia em uma das queridinhas dos investidores. Nos últimos trimestres, a companhia bateu recordes consecutivos de aumento de receita e lucro. Ao detalhar a receita, a Nvidia destacou que a frente de data center cresceu 427% no trimestre e contribuiu com US$ 22,6 bilhões em receita. O restante é dividido entre as verticais de Gaming, Professional Visualization, Auto e OEM. Todas tiveram desempenho positivo no período. Os resultados da Nvidia ficaram acima da expectativa. A receita esperada pelo mercado era de US$ 24,6 bilhões. Já o lucro por ação ficou em US$ 6,12 contra uma expectativa de US$ 5,59. No mesmo trimestre do ano passado, o lucro por ação havia sido de apenas US$ 0,82. O bom resultado animou os investidores e fez com que as ações da Nvidia batessem recordes. Os papeis fecharam o dia em US$ 949,50. No aftermarket, a ação acumulava alta superior a 6%. A companhia está avaliada em US$ 2,33 trilhões. "Olhando à frente, a empresa forneceu um guidance de receitas de US$ 28 bilhões para o próximo trimestre, número que é maior que o consenso de mercado de US$ 26,7 bilhões", diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. A Nvidia informou ao mercado que também fará o desdobramento das ações. O objetivo é dividir cada papel por dez com a intenção de tornar o ativo mais acessível aos investimentos. Essa é uma prática comum no mercado para ações cujo valor unitário está elevado. A companhia também informou que vai aumentar os dividendos trimestrais em 150%. O pagamento, que era de US$ 0,04 por ação, vai passar para US$ 0,10 – ou US$ 0,01 após o desdobramento dos papéis.
https://w3b.com.br/a-nvidia-nao-se-cansa-de-surpreender-e-multiplica-lucro-por-sete-no-trimestre/?feed_id=14054&_unique_id=67058fe4b591d

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

IA Tem se Tornado uma Ferramenta de Trabalho

IA Tem se Tornado uma Ferramenta de Trabalho

Um estudo recente realizado pela Microsoft em parceria com o LinkedIn mostrou que 83% dos profissionais brasileiros que exercem algum tipo de atividade intelectual utilizam a inteligência artificial em suas rotinas de trabalho. Ou seja: a IA tem se tornado uma ferramenta de trabalho onipresente, que amplifica os horizontes profissionais de seus usuários. No Brasil, um exemplo do uso eficaz dos recursos trazidos pela inteligência artificial vem da Bradesco Asset – e quem diz isso é uma das principais publicações do mundo voltadas para a indústria financeira. No final de abril, a Bradesco Asset conquistou o prêmio “Uso Mais Inovador de Inteligência Artificial Generativa”, concedido pela publicação americana Global Finance. A conquista se deve a uma ferramenta desenvolvida pela gestora com o apoio do InovaBra, braço de inovação do Bradesco, e também contou com o apoio do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do banco. O projeto começou a ser gestado no início de 2023, quando o ChatGPT disseminou-se pelo mundo como uma nova revolução tecnológica. Em abril, atenta às oportunidades que certamente surgiriam pelo caminho, a Bradesco Asset criou uma célula de inteligência artificial generativa que tinha por objetivo desenvolver iniciativas na área. A divisão passou a ser comandada por Fernando Galdi, head de Estratégia e Inovação da Bradesco Asset, mas com a participação de profissionais de diversas áreas do banco, do InovaBra ao Depec, passando por colaboradores do setor de tecnologia do Bradesco. Atualmente, este braço de IA do banco é formado por um time de 15 pessoas. “O principal objetivo da célula é gerar aplicações de IA para o dia a dia da asset”, resume Galdi. Foi essa premissa que deu origem à ferramenta premiada pela Global Finance. Depois da fase de criação, a ferramenta passou a operar de forma experimental, em julho do ano passado, até ser efetivamente adotada pelo Bradesco três meses depois, em outubro. “Basicamente, aplicamos a inteligência artificial generativa para analisar as atas e comunicados emitidos pelo Banco Central do Brasil e pelo Fed, o banco central americano”, diz Galdi. Para isso, a gestora usa os modelos de inteligência artificial GPT-4 e GPT-3.5, que leem os documentos e os comparam com versões anteriores das atas e comunicados. Com base nessas informações, a ferramenta cria um indicador, chamado Hawk-Dove, que varia de -1 a 1. O valor negativo aponta para um tom mais próximo a Dove (possível diminuição da taxa de juros nas próximas reuniões), enquanto o positivo indica um tom mais Hawk (aumento das taxas).
A ferramenta cria um indicador, chamado Hawk-Dove, que varia de -1 a 1
“Uma das grandes vantagens da ferramenta é que ela é agnóstica”, diz Galdi. “É como se o indicador fosse feito por um analista sem qualquer tipo de viés ou sentimento.” Por mais que os humanos procurem fazer análises frias e independentes, sempre persiste algum tipo de viés – isso é natural para qualquer pessoa. Os algoritmos, por sua vez, conseguem trabalhar sem essa característica. A ferramenta da Bradesco Asset construiu também uma série histórica com todas as atas e comunicados do Banco Central brasileiro desde 2016 e do Fed desde 2012. “Com isso, quem recebe o nosso indicador consegue comparar o que aconteceu ao longo do tempo com o último comunicado dos bancos centrais”, diz Galdi. Outro diferencial é a síntese que a IA generativa faz, resumindo os principais tópicos das atas. Se antes um analista precisava de algo como 20 a 30 minutos para ler e interpretar o documento, com a nova tecnologia é possível fazer isso em torno de 5 a 7 minutos. Por enquanto, o conteúdo produzido pela IA é distribuído para consumo interno do Bradesco. No entanto, a Bradesco Asset estuda a possibilidade de levá-lo para o mercado – quem sabe, fornecendo o indicador Hawk-Dove para outros analistas ou economistas. A célula de Inteligência Artificial da Bradesco Asset está prestes a render novos frutos. A casa testa a tecnologia para avaliar cartas de gestores. Todos os meses, centenas de cartas são publicadas por gestoras de diversos países, com análises minuciosas a respeito do cenário econômico e da direção que a indústria de investimentos está tomando. É impossível para um profissional da indústria financeira ler todo o material – não haveria tempo disponível para se dedicar a isso diante de outros compromissos do dia a dia. A ideia é que a IA seja capaz de apontar qual é o padrão dominante nas cartas publicadas no mundo, auxiliando os gestores de investimentos em suas tomadas de decisão. “À medida em que aumentarmos o número de documentos avaliados pela inteligência artificial, o ganho de produtividade para os profissionais do mercado será cada vez maior”, diz Galdi. Para acelerar projetos desse tipo, a Bradesco Asset firmou uma parceria com o Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, que ajuda a gestora a resolver desafios tecnológicos. A inteligência artificial vai mudar o mundo e a Bradesco Asset quer ser parte importante dessa transformação. https://w3b.com.br/ia-tem-se-tornado-uma-ferramenta-de-trabalho/?feed_id=9853&_unique_id=66d265afc13b3

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Microsoft “preenche vaga” de Sam Altman com o cofundador da Deep Mind

Microsoft “preenche vaga” Em novembro de 2023, a Microsoft chegou a anunciar a contratação de Sam Altman, após o CEO da OpenAI ser demitido pelo conselho de administração da companhia, dona do ChatGPT e um dos principais players por trás do boom da inteligência artificial. Ele chegaria para liderar justamente as pesquisas em inteligência artificial da gigante de Redmond, que já havia investido US$ 10 bilhões na OpenAI. Mas, apenas cinco dias depois de seu desligamento, retomou sua posição na startup, a partir da pressão de investidores e de funcionários. Os laços com a OpenAI seguem cada vez mais estreitos, mas o vaivém de Altman deixou uma lacuna importante no quadro da Microsoft. E que, agora, está sendo preenchido por um outro nome relevante na onda da inteligência artificial: o britânico Mustafa Suleyman, cofundador da DeepMind e da Inflection AI, duas das startups mais conhecidas nesse espaço. Na terça-feira, 19 de março, a Microsoft nomeou Suleyman vice-presidente executivo e CEO da Microsoft AI, sua nova unidade focada no avanço do assistente virtual Copilot e de outros produtos e pesquisas de inteligência artificial conectados às ofertas de consumo da empresa, como Office, Windows, Bing e Edge. A chegada do executivo foi divulgada em uma mensagem aos funcionários da Microsoft enviada pelo CEO Satya Nadella, a quem Suleyman se reportará diretamente. E foi acompanhada do anúncio de que Karen Simonyan, também cofundadora da Inflection AI, será a cientista-chefe da nova área. “Conheço Mustafa há vários anos e o admiro muito como fundador da DeepMind e da Inflection, e como visionários, criador de produtos e construtor de equipes pioneiras que buscam missões ousadas”, escreveu Nadella. O CEO da Microsoft também ressaltou que Simonyan é uma pesquisadora renomada, que liderou o desenvolvimento de alguns dos maiores avanços em inteligência artificial na última década. E acrescentou que diversas pessoas do time da Inflection AI optaram por se juntar à dupla na nova casa. Nadella pontou ainda que a inovação da empresa em inteligência artificial seguirá se baseando no trabalho estratégico e a “quatro mãos” com a OpenAI. E que a contratação de Suleyman e Simonyan só reforça a “construção e os princípios de parceria” da Microsoft. Como parte da criação da nova unidade e do foco da aplicação de inteligência artificial orientada ao portfólio de consumo, todas as áreas lideradas por Mikhail Parakhin, CEO de advertising e web services da Microsoft, se reportarão a Suleyman, incluindo as equipes do Copilot, do Bing e do Edge. Para liderar esses times, Suleyman traz no currículo, entre outras credenciais, o fôlego mostrado pelas startups que ajudou a fundar. Criada em 2010, a DeepMind foi comprada pelo Google, em 2014, por cerca de US$ 500 milhões, e se tornou o laboratório de inteligência artificial da gigante americana. Suleyman deixou a Alphabet, controladora do Google, um dos rivais da Microsoft na esfera da inteligência artificial. Na sequência, ele foi um dos fundadores da Inflection AI, que, por sua vez, já mantinha relações com a empresa liderada por Satya Nadella. Em junho de 2023, a Microsoft foi um dos nomes por trás do aporte de US$ 1,3 bilhão captado pela Inflection. A rodada contou ainda com a participação da Nvidia, de Bill Gates e de Erick Schmidt, ex-CEO do Google. E avaliou a startup em US$ 4 bilhões. Na época da captação, Suleyman, que também atuava como CEO da Inflection ressaltou que os recursos seriam destinados justamente para a construção de uma inteligência artificial “mais pessoal”, a partir de um assistente batizado de Pi. As ações da Microsoft estavam sendo negociadas com ligeira alta de 0,62% por volta das 15h30 (horário local) na Nasdaq. A empresa está avaliada em US$ 3,1 trilhões e seus papéis acumulam uma valorização de 11,6% em 2024.
Fique Por Dentro
Cofundada por Suleyman, a DeepMind foi comprada pelo Google, em 2014 Outra empresa de Suleyman, a Inflection AI, foi avaliada em US$ 4 bilhões A Microsoft é uma das investidoras da Inflection AI Microsoft “preenche vaga”
https://w3b.com.br/microsoft-preenche-vaga-de-sam-altman-com-o-cofundador-da-deep-mind/?feed_id=9415&_unique_id=66be74c3486e2

terça-feira, 13 de agosto de 2024

A corrida é para competir com o ChatGPT

A corrida é para competir com o ChatGPT

Em mais um exemplo de que os investidores não vão poupar recursos para financiar a onda da inteligência artificial, Elon Musk acaba de levantar US$ 6 bilhões para a xAI, empresa do fundador da Tesla, SpaceX e Twitter que tem a ambição de concorrer com a OpenAI, a desenvolvedora do ChatGPT. A rodada série B avaliou a companhia, que tem menos de um ano de vida, em US$ 18 bilhões e trouxe para a base de acionistas diversos fundos de renome no Vale do Silício. Entre eles, Andreessen Horowitz, Sequoia Capital, Valor Equity Partners, Vy Capital e Fidelity Management & Research, bem como o príncipe saudita al-Waleed bin Talal e Kingdom Holding. O dinheiro será usado para desenvolver “os primeiros produtos da xAI ao mercado, construir infraestrutura avançada e acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias futuras”, disse a xAI, em um comunicado. A rodada marca a corrida que acontece ao redor do mundo para financiar projetos de inteligência artificial. As principais startups de IA arrecadaram bilhões de dólares nos últimos anos para financiar seus projetos e comprar recursos de computação para treinar modelos avançados de linguagem que alimentam chatbots de IA generativa. A OpenAI, por exemplo levantou US$ 13 bilhões com Microsoft. E a Anthropic, considerada a rival da ChatGPT na Europa, captou mais de US$ 6 bilhões. Musk tenta recuperar o atraso em relação aos seus dois principais rivais. O empresário lançou publicamente a xAI em julho do ano passado. Quatro meses depois, apresentou o chatbot Grok e o disponibilizou para os assinantes de sua plataforma de mídia social, a X (antigo Twitter). No início deste ano, mostrou seu modelo mais recente de IA, chamado de Grok-1.5. O dono da Tesla é um dos cofundadores da OpenAI como um laboratório sem fins lucrativos em 2015 com Sam Altman, seu atual presidente. Mas deixou a empresa e, recentemente, processou a OpenAI e Altman, alegando que eles haviam abandonado a missão inicial da empresa em busca de lucro. Esse é mais um exemplo da loucura que tem envolvido os aportes em empresas de inteligência artificial. Na semana passada, a americana Scale AI captou US$ 1 bilhão em rodada liderada pela Accel e com a participação de Nvidia, Amazon, Intel Capital, AMD e Meta. Com o dinheiro novo, a Scale AI, que atua com rotulagem de dados, dobrou o seu valuation, que passou de US$ 7 bilhões, para US$ 14 bilhões. A francesa H, que antes era conhecida como Holistic AI, anunciou também uma rodada seed de US$ 220 milhões (isso mesmo, não está faltando uma vírgula para diminuir o valor). A H, que trabalha em novos modelos de IA, conseguiu esse volume de dinheiro por conta da equipe de fundadores. Charles Kantor, cofundador e CEO da startup, era pesquisador universitário em Stanford. E os outros quatro fundadores trabalharam anteriormente para a DeepMind, a empresa de IA do Google.
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sábado, 3 de agosto de 2024

Google considera busca paga “movida” a IA

Em um movimento relacionado com iniciativas voltadas para a inteligência artificial, o Google está considerando fazer uma grande mudança em seu modelo de negócio. A companhia de Mountain View está avaliando começar a cobrar pelo uso de ferramentas “premium” em seu buscador. A ideia é gerar uma nova fonte de receita para o serviço, hoje dependente de anúncios. Ao cobrar pelo uso do buscador, o Google faria a sua primeira mudança no modelo desde quando passou a gerar receita com a estratégia de links patrocinados. No ano passado, o Google reportou que o buscador e os anúncios renderam US$ 175 bilhões em receita. O montante representa mais da metade do valor total que a companhia faturou em 2023. Com inteligência artificial, o Google poderia oferecer respostas mais precisas às buscas dos usuários. O desafio para a empresa é que esse processo envolve mais dados computacionais – o que aumenta o custo. A ideia é que o buscador ainda continue sendo oferecido de forma gratuita. Já os anúncios seguiriam sendo exibidos mesmo para os assinantes de um possível novo serviço. Ainda assim, há um temor de que ao gerar respostas mais precisas com inteligência artificial, o Google jogue contra os anunciantes ao diminuir o acesso aos links patrocinados. A adoção de inteligência artificial no buscador parece um passo natural para a empresa. Nos últimos meses, o Google começou a estudar a possibilidade de oferecer ferramentas premium em serviços como Gmail e Docs, segundo o Financial Times (FT). Google considera busca paga “movida” a IA Essa seria também uma resposta à iniciativa da Microsoft de adicionar inteligência artificial ao Bing. Apesar de isso ter sido feito no ano passado, o FT informa que o buscador da companhia fundada por Bill Gates não ganhou ainda participação de mercado com essa estratégia. O Google ainda está envolvido no desenvolvimento da tecnologia e os testes estão ocorrendo desde maio. Ainda não há previsão sobre o lançamento de uma ferramenta deste tipo.
Fique Por Dentro
Serviço premium adicionaria funções de inteligência artificial ao buscador No ano passado a companhia faturou US$ 175 bilhões com anúncios Maior concorrente, a Microsoft já adicionou IA ao buscador Bing Google considera busca paga “movida” a IA
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segunda-feira, 29 de julho de 2024

Por que Blackstone, Carlyle e BlackRock emprestaram US$ 7,5 bilhões para uma startup de IA

Por que Blackstone? O mercado de dívida ficou aquecido com o avanço da inteligência artificial. Em uma das maiores captações nesta modalidade na história do mercado de tecnologia, a startup americana CoreWeave, que atua com computação em nuvem, anunciou a captação de US$ 7,5 bilhões com gestoras como Blackstone, Carlyle e BlackRock. A CoreWeave é uma empresa que atua com serviços de nuvem. O diferencial é um acordo com a Nvidia para obter os chips de inteligência artificial que são utilizados nas unidades de processamento gráfico que a startup possui. Assim, é possível atender as necessidades de empresas com serviços de inteligência artificial. Com sede em Nova Jersey, a CoreWeave opera atualmente em 14 data centers, mas planeja dobrar esse número até o fim deste ano – sendo dois deles fora dos EUA, no Reino Unido. O dinheiro captado nesta nova dívida deve ser usado para este objetivo, assim como o investimento em servidores e equipamentos de rede. “É um financiamento monumental em termos nominais, mas também é um financiamento monumental em termos da medida em que isso vai impulsionar a empresa”, disse Michael Intrator, CEO da CoreWeave, em entrevista ao The Wall Street Journal. O acordo com a Nvidia é importante porque a companhia é a principal fabricante de chips de inteligência artificial, concentrando mais de 80% das vendas deste mercado. No último ano, as ações da Nvidia dispararam com a necessidade por seus chips. A empresa mais do que triplicou de valor de mercado. Nesta sexta-feira, 17 de maio, a companhia estava avaliada em US$ 2,3 trilhões. Até por isso, a startup já é vista como uma concorrente de peso para gigantes como Microsoft, Amazon e Google, que também atuam com serviços de computação em nuvem. “Eu acho que ninguém estava esperando que outra hyperscaler entraria neste mercado tão rapidamente”, disse Intrator. A captação por dívida acontece apenas duas semanas após a CoreWeave ter levantado US$ 1,1 bilhão em uma rodada de equity de série C que foi liderada pela Coatue e que contou com a participação de gestoras como Altimeter Capital e Fidelity, Magnetar Capital, entre outras. A startup foi avaliada em US$ 19 bilhões. Não foi a primeira vez que a companhia recorreu ao venture debt. No ano passado, a CoreWeave levantou US$ 2,3 bilhões em dívida. Blackstone, Carlyle e BlackStone estavam envolvidas na transação, assim como Magnetar Capital, Coatue e a fabricante de chips Nvidia.
Fique Por Dentro
Startup tem um acordo com a Nvidia, a maior fabricante de chips de IA CoreWeave já é uma concorrente para Amazon, Microsoft e Google Dinheiro deve ser usado para dobrar o número de data centers
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terça-feira, 9 de julho de 2024

Até o Walmart quer tirar uma “casquinha” da inteligência artificial

  Até o Walmart quer tirar uma “casquinha” Um dos nomes mais tradicionais do varejo americano, o Walmart tem, assim como muitos players do setor, a Amazon como principal concorrente. Apesar dessa competição, alguns movimentos recentes mostram que, curiosamente, a rede americana parece estar buscando inspiração em sua maior rival. O exemplo mais recente sob essa orientação foi conhecido na quinta-feira, 14 de março, e vem embalado em uma onda que vem ditando os rumos no mercado. A empresa anunciou que vai passar a ofertar uma plataforma com algoritmos de inteligência artificial, desenvolvidos para a sua própria operação de logística nos últimos anos, a outros varejistas. Com esse movimento, o Walmart reforça a aproximação com o viés adotado há mais de uma década pela Amazon, que, a partir de recursos desenvolvidos, testados e amadurecidos dentro de casa, tem ampliado seus domínios para além do varejo. O primeiro e maior exemplo da Amazon nessa direção é a Amazon Web Services (AWS). Fundada em 2006, a companhia oferece serviços e infraestrutura de tecnologia da informação a outras empresas. E, em 2023, respondeu por US$ 90,7 bilhões da receita total de US$ 574,7 bilhões do grupo no período. No caminho para seguir essa mesma pegada de diversificação, o novo passo do Walmart está centrado na oferta de um software de otimização de rotas, que, segundo a rede, já evitou que sua operação percorresse 30 milhões de quilômetros desnecessários, ao “desviar” de 110 mil “trajetos ineficientes”. “Investimos tempo, recursos e conhecimento operacional significativos na construção de soluções como o Route Optimization, e isso pode ser uma barreira para muitas empresas”, disse, em nota, Anshu Bhardwaj, vice-presidente sênior e chief operating officer (COO) do Walmart. “Ao adotar nossa tecnologia em grande escala, alimentada por IA, as empresas podem eliminar a necessidade e as despesas de desenvolvimento da sua própria tecnologia e, em vez disso, concentrar-se no que fazem de melhor: atender seus clientes”, acrescentou o COO. Entre outros recursos, o software tem monitoramento em tempo real e permite traçar o melhor roteiro com múltiplas paradas, levando-se em conta fatores como horário, localização e janelas de entregas nas lojas. Também é possível planejar o carregamento dos caminhões, maximizando o espaço. O segmento de logística é justamente um dos campos em que a Amazon e outros varejistas têm investido na oferta da estrutura criada para apoiar suas operações a outros nomes do setor. Isso envolve, por exemplo, os serviços de fulfillment e de entregas para os sellers cadastrados em seus marketplaces. Essa plataforma é apenas uma das vias que vem sendo abertas pelo Walmart para ampliar suas fronteiras. No território da tecnologia, a varejista já oferece, por exemplo, há cerca de dois anos, sistemas para aprimorar frentes como check out, atendimento de pedidos e entregas on-line. Em uma iniciativa mais recente, ligada a outra vertente de negócio, a rede anunciou em fevereiro deste ano a compra da Vizio, fabricante americana de smart TVs, em uma transação avaliada em cerca de US$ 2,3 bilhões. Até o Walmart quer tirar uma “casquinha” O racional por trás desse desembolso milionário foi capturar uma parcela mais significativa de receitas na área de publicidade. Especialmente por meio do SmartCast, sistema operacional por meio do qual a Vizio já gera boa parte do seu faturamento. Com o acordo e a possibilidade de exibir anúncios em serviços de streaming parceiros da Vizio, aliada à sua escala, o plano do Walmart é acelerar o Walmart Connect, seu braço de mídia, que registrou uma receita global de US$ 3,4 bilhões em 2023. No período, a receita total da rede foi de US$ 648,1 bilhões. O segmento de publicidade é também mais um espaço em que a Amazon já fincou seus pés, por meio do Amazon Ads. No ano passado, essa divisão alcançou uma participação de 8,1% no resultado do grupo, ao reportar uma receita de US$ 46,9 bilhões.

Os Ads para as varejistas

O Walmart não é, no entanto, o único varejista a seguir a trilha de diversificação da gigante fundada por Jeff Bezos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Target anunciou neste mês que a sua área de publicidade vem se consolidando como um grande impulsionador de suas receitas. Já na América Latina, para ficar apenas nesse espaço da publicidade, um dos players é o Mercado Livre, que vem avançando nessa esfera com o Mercado Ads. Outro nome a seguir essa tendência é o Magazine Luiza, com o MagaluAds. Em contrapartida, a varejista liderada pela família Trajano é também um entre outros tantos exemplos que ilustram e reforçam o fato de que essa jornada além do varejo tem barreiras e sobressaltos pelo caminho. A operação, que, no fim de janeiro, anunciou uma capitalização de R$ 1,25 bilhão, ancorada pelo próprio clã Trajano e pelo BTG Pactual, vem encontrando dificuldades para se consolidar em outras frentes de negócio. Esse itinerário mais desafiador tem sido dificultado, inclusive, pela competição com nomes como a própria Amazon. E se traduziu, nos balanços mais recentes, no aumento da dívida líquida e, por consequência, na redução do caixa da operação. Como principais destinos da nova captação, a varejista elegeu exatamente áreas que dão o tom da sua disposição em avançar em outras frentes a partir do varejo e, nas quais, ainda está aquém dos rivais. Entre elas, os serviços ofertados a parceiros nos segmentos de advertising, de fintech, de fulfillment e de nuvem. Distante desse cenário de competição no Brasil, as ações do Walmart estavam sendo negociadas com ligeira queda de 0,5% nos Estados Unidos, por volta das 11h15 (horário local). No ano, os papéis da rede, avaliada em US$ 489,5 bilhões, registram, porém, alta de 15,6%.
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quarta-feira, 3 de julho de 2024

O “sr. www” projeta a inteligência artificial como um assistente pessoal

Um dos principais nomes da era digital, Tim Berners-Lee revolucionou a internet ao inventar o World Wide Web, o protocolo que serviu de base para a criação da internet como conhecemos hoje. No ano do aniversário de 35 anos do "www", o físico britânico palpitou sobre o futuro da internet e da tecnologia como um todo. Em entrevista para a CNBC, Berners-Lee vislumbrou um futuro em que cada pessoa poderá contar com seu próprio assistente pessoal munido de inteligência artificial (IA). Esses novos assistentes farão mais do que ligar produtos eletrônicos ou procurar respostas para perguntas na internet. Sua visão do futuro envolve assistentes virtuais que poderão exercer funções de advogados, banqueiros e até médicos. “Você vai ter um assistente de IA que vai poder confiar e que vai trabalhar para você, como um médico”, disse ele. O uso de inteligência artificial na medicina já vem sendo feito há algum tempo. Em 2019, um experimento realizado com o Watson, o supercomputador da IBM, mostrou que a máquina foi capaz de diagnosticar melhor doenças cardíacas do que cardiologistas, conforme reportado pelo Harvard Business Review. Outra previsão de Berners-Lee é sobre privacidade e realidade virtual. A tecnologia que está sendo desenvolvida por empresas como Apple e Meta preocupa o pesquisador britânico em relação ao armazenamento e uso dos dados pessoais. O físico acredita que as companhias terão que permitir que cada pessoa tenha controle total de seus dados. Essas informações poderão ser armazenadas na nuvem em pods. Esses pods são como “cápsulas virtuais” que só poderão ser acessadas pelo dono das informações. Berners-Lee é cofundador da Inrupt, startup que quer criar essas “cápsulas virtuais” em data centers para permitir (ou não) que os dados de cada pessoa sejam acessados pelas empresas. Segundo o Crunchbase, o negócio já captou US$ 46,5 milhões com gestoras como Accenture Ventures e Forté Ventures. “Você pensará em seu data pod como seu espaço digital, como algo com o qual se sente muito confortável”, disse Berners-Lee. A ideia é que cada pessoa possa gerenciar totalmente como as informações de suas cápsulas são compartilhadas com dispositivos e aplicações. O “sr. www” projeta a inteligência artificial A medida funciona tanto para quem quer garantir maior privacidade como para quem deseja compartilhar mais dados. Neste segundo ponto, Berners-Lee prevê que um indivíduo poderá comprar uma passagem aérea e então compartilhar essa informação com outros aplicativos, que poderão oferecer ofertas exclusivas. “Todas as suas listas de tarefas e eventos do calendário. Todas as diferentes partes dos seus dados serão reunidas de modo que a capacidade de viver a sua vida se tornará muito mais poderosa”, afirmou Berners-Lee. A terceira previsão de Berners-Lee diz respeito ao domínio das big techs no mercado de tecnologia. Seu palpite é de que órgãos regulatórios vão forçar grandes companhias a desmembrarem seus negócios para que exista uma competição saudável no mercado. Berners-Lee não cita nomes de empresas, mas gigantes como Meta, Alphabet e Amazon são algumas que deixaram de ganhar dinheiro apenas com seus principais negócios para atacarem outras frentes ou adquirirem concorrentes diretos de seus negócios. A maior preocupação neste caso se dá em torno das companhias que atuam com inteligência artificial. A Microsoft, por exemplo, é a principal investidora da OpenAI e já firmou uma parceria com a startup francesa Mistral AI. Elon Musk, por sua vez, lançou sua própria ferramenta de inteligência artificial, assim como o Google. O “sr. www” projeta a inteligência artificial No entanto, ele acrescentou: “As coisas estão mudando muito rapidamente. A inteligência artificial está mudando muito e muito rapidamente”, disse Berners-Lee. Ele afirma que já existe um monopólio na inteligência artificial, mas lembra que “os monopólios mudaram muito rapidamente na web”.
Fique Por Dentro
Tim Berners-Lee diz que existe um monopólio na IA, mas que isso deve acabar No futuro, Berners-Lee afirma que a IA vai trabalhar para você Ele acredita que as big techs terão de desmembrar seus negócios em breve
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quinta-feira, 27 de junho de 2024

De olho na eterna dor dos CMOs, essa startup movimentou R$ 3 bilhões em um ano

De olho na eterna dor dos CMOs Com passagens por P&G, Burger King e McDonald’s, Marcelo Ferronato já tinha mais de 15 anos de experiência na área de marketing quando, em junho de 2022, decidiu deixar o posto de Chief Marketing Officer (CMO) na Red Bull para empreender. Ao pedir demissão, ele recebeu das mãos de Raul Tichauer, presidente da Red Bull no Brasil, um quadro com a mensagem “Para você ganhar asas no seu novo desafio”, em uma alusão à assinatura da marca e num gesto de incentivo para essa virada na carreira. O antigo patrão foi também um dos primeiros investidores da Media Hero, startup criada no início de 2023, com uma plataforma que mede o retorno e define a alocação dos investimentos em marketing. E que, em pouco tempo, acumula boas “horas de voo” e já planeja, inclusive, escalas internacionais. “Em um ano de operação, já processamos R$ 3 bilhões de investimentos em marketing na nossa plataforma”, diz Ferronato, cofundador da Media Hero, ao NeoFeed. “Muito dessa evolução veio dos meus relacionamentos e do conhecimento das dores e de como funcionam os orçamentos na área.” Esse networking ajudou a trazer doze clientes para a carteira da Media Hero. A relação inclui empresas como Nubank, Duracell, Boehringer-Ingelheim, Iguatemi, Omie e as agências AlmapBBDO e Wieden+Kennedy. A rede de contatos também atraiu outros investidores para o captable da startup. A rodada pre-seed, cujo valor não foi revelado, teve a participação de nomes como Marcos Angelini, presidente da Red Bull na América Latina, e Lanx Capital. Em outra ponta, para tirar a ideia do papel, Ferronato retomou as conversas com Gustavo Ioschpe, fundador e CEO da Big Data, startup de dados e inteligência artificial. A dupla havia se conhecido quatro anos antes, quando o “marketeiro” passou a pesquisar esses temas no embrião da Media Hero. Uma das empresas pioneiras nesses espaços no Brasil, a Big Data já tinha tentado criar uma plataforma semelhante à proposta da Media Hero. A empresa decidiu suspender, porém, o projeto. “A expertise do Gustavo não era de marketing e ele não falava a língua dos CMOs e das agências”, explica Ferronato. “Mas a Big Data já tinha um chassi enorme de tecnologia e de dados, o que nos economizou anos de capex e de P&D.” Na combinação dessas forças, Ioschpe se juntou à Media Hero como cofundador. A startup nasceu como um spin-off totalmente independente da Big Data, incorporando parte da propriedade intelectual e da equipe da sua “empresa-mãe”.

Do ponto de venda ao TikTok

No que diz respeito à oferta, essa soma resultou em uma plataforma que une inteligência artificial, machine learning e uma avalanche de dados para mensurar, de forma integrada, os investimentos em marketing. Além de sugerir, também com essa visão única e ampla, como aplicar esses recursos. A ferramenta se pluga aos sistemas de venda, de marketing e aos perfis dos clientes em redes sociais. Em paralelo, a startup tem uma base com mais de 25 mil fontes de dados – de órgãos como IBGE, Banco Central e MEC a informações diversas, como clima e pluviometria de cada região. Em uma primeira etapa, a ideia é medir as relações de causa e efeito dos investimentos de marketing. Sejam eles uma ação para a geração de awareness e branding, para a comunicação de um produto ou centrados diretamente na conversão em vendas. O leque de canais incluídos na medição também é extenso. Ele engloba desde campanhas no ponto de venda e em meios mais tradicionais, como TV e mídia out of home, até eventos, e-commerces e ações com influenciadores em redes como o TikTok ou o Instagram. A Media Hero reúne essas informações em um dashboard. E, a partir dessa massa de dados, chega no detalhe de entender, por exemplo, como o clima, o fluxo de pessoas ou o calendário escolar estão impactando uma campanha e as vendas de um produto em uma determinada cidade. Além de fornecer um retrato completo com a evolução das campanhas realizadas e de projetar o resultado dessas ações, numa segunda etapa, os algoritmos da plataforma rodam análises para sugerir o plano mais aderente aos objetivos dos clientes em novos investimentos. Aqui, a ferramenta segue a mesma lógica. A alocação dos recursos chega ao nível dos valores destinados a cada mídia e do canal a ser usado dentro de cada opção. No caso do Google, por exemplo, a cifra pode estar dividida no montante a ser aplicado em busca patrocinada ou no YouTube. O cliente pode alterar o plano. Automaticamente, todas as métricas, incluindo a projeção de resultados a serem obtidos com essas mudanças são calculados e mostrados na tela do usuário. A Media Hero aposta no modelo de software como serviço e cobra uma taxa mensal do cliente, que varia caso a caso. “Em todas as empresas que eu passei, sempre me incomodou a dificuldade de mensurar o retorno e planejar os investimentos de forma integrada”, diz Ferronato. “As poucas opções cobriam parte dessa dor e eram complicadas e caras.” Ele explica que a Media Hero encontra concorrência em algumas etapas desse processo. Essa competição envolve desde players estabelecidos, como Nielsen e Kantar, até startups como a americana e a italiana Cassandra. Nessa disputa, a brasileira já tem planos para estender seu mapa de atuação. A princípio, a expansão internacional deve acontecer a partir de 2025. Mas pode ser antecipada dependendo da evolução das cinco negociações em andamento com clientes nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, o foco passa pela ampliação do time de 15 profissionais, entre engenheiros, cientistas de dados e PHDs em machine learning. A ideia é dobrar esse quadro até o fim de 2024. Outro plano é desenvolver uma versão da plataforma para empresas com um orçamento mais restrito de marketing. “Nossa projeção é de, no mínimo, dobrar o volume processado na plataforma até o fim do ano e chegar a um patamar entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões”, afirma Ferronato. “E, levando em conta os próximos doze meses, a expectativa é triplicar o valor que movimentamos atualmente.” De olho na eterna dor dos CMOs
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quinta-feira, 20 de junho de 2024

Apple pode entrar na corrida da IA com chip para data center

Na corrida da inteligência artificial (IA), a Apple parece ser a big tech que está mais atrás na comparação com seus pares do Vale do Silício. E isso tem exasperado os investidores da companhia. A companhia comandada por Tim Cook, porém, está trabalhando em um projeto secreto para desenvolver o seu próprio chip de IA para data centers, uma medida que tem potencial de dar vantagem à Apple nesta disputa, de acordo com o The Wall Street Journal (WSJ). O novo projeto tem codinome interno de Projeto ACDC (Apple Chips in Data Center). Não há ainda uma data para algum anúncio, mas a Apple prometeu novos produtos de IA em sua conferência voltada para desenvolvedores, que acontece em junho deste ano. “Acreditamos no poder transformador e na promessa da IA e acreditamos que temos vantagens que nos diferenciarão nesta nova era, incluindo a combinação única da Apple de integração de hardware, software e serviços”, disse Cook, na teleconferência de resultados trimestrais da companhia. De acordo com o WSJ, a Apple tem trabalhado com a Taiwan Semiconductor Manufacturing, seu parceiro na área de chips. A Apple tem tradição em projetar e desenvolver os seus próprios chips. Ela já fez isso como iPhones, iPads, Apple Watch e os computadores Mac Para o chip de servidor da Apple, o componente provavelmente se concentrará na execução de modelos de IA – o que é conhecido como inferência – em vez de treinar modelos de IA, onde a fabricante de chips Nvidia provavelmente continuará a dominar, de acordo com algumas pessoas a par dos planos. A onda de IA generativa, em que o ChatGPT é o principal expoente, necessita de uma grande quantidade de servidores para fazer processamento dos dados. Hoje, a maioria das empresas dependem dos chips da Nvidia. Por esse motivo, muitas companhias estão em busca de alternativas à Nvidia, que detém quase 80% de mercado desses chips – não à toa, a empresa vale atualmente US$ 2,2 trilhões, uma alta de quase 90% em seus papéis na Nasdaq. O Google trabalha em um projeto desde 2023. E a OpenAI, a empresa por trás do ChatGPT, está também em busca de recursos para financiar um projeto de chips para IA. O Softbank está também captando US$ 100 bilhões para criar um rival para Nvidia.
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quinta-feira, 6 de junho de 2024

Na Coreia do Sul, um arsenal de US$ 19 bilhões em chips

Em um anúncio bastante aguardado, a Nvidia voltou a surpreender o mercado na noite da quarta-feira, 22 de maio. Entre outros números do primeiro trimestre, a fabricante de chips reportou um salto de 628% em seu lucro líquido, para US$ 14,8 bilhões. “A próxima revolução industrial começou”, afirmou o CEO Jensen Huang, em comunicado. O balanço foi a deixa para mais um rali nas ações da empresa e a frase do executivo só ressaltou que, muito além de Wall Street, o boom da inteligência artificial já está movimentando bilhões em outras esferas. O exemplo mais recente desse contexto foi dado pela Coreia do Sul. No dia seguinte ao balanço da Nvidia, o governo do país divulgou um pacote de 26 trilhões de wons (US$ 19 bilhões) para apoiar a indústria local de semicondutores. O desembolso será viabilizado por meio do Banco de Desenvolvimento da Coreia e busca abrir caminho para que os fabricantes sul-coreanos invistam em infraestrutura e alcancem os players de outros países na corrida pelos chips avançados na trilha inteligência artificial. As exportações de semicondutores da Coreia do Sul cresceram 56% em abril sobre um ano antes. Mas empresa locais como Samsung e SK Hynix vêm enfrentando uma competição cada vez mais intensa com nomes como a taiwanesa TSMC e a americana Intel, além da própria Nvidia, que domina o setor. “Como todos sabemos, os semicondutores são um campo onde uma guerra está em andamento. Ganhar ou perder, isso depende de quem pode fabricar primeiro os chips de ponta”, afirmou Yoon Suk Yeol, presidente da Coreia do Sul, segundo a agência Reuters. Alguns números divulgados pelo governo sul-coreano ilustram como o país está posicionado nessa "guerra dos chips". Atualmente, a Coreia do Sul tem uma participação de apenas 1% no mercado global de semicondutores. O plano é ampliar essa fatia para 10%. Em janeiro desse ano, em linha com essa meta, a Coreia do Sul já havia anunciado a construção de um complexo de fabricação de chips de alta tecnologia na cidade de Yongin, com o objetivo de tornar o município um polo industrial do setor e atrair empresas de produção e de design de semicondutores. Sob essa mesma orientação, a SK Hynix anunciou em abril que planeja investir US$ 14,6 bilhões para expandir sua capacidade local. Toda essa movimentação se conecta com os recursos bilionários que estão sendo reservados e aplicados por outros países na busca pela hegemonia no setor. O apoio à indústria de semicondutores é, por exemplo, uma das bandeiras de Joe Biden em sua tentativa de se reeleger como presidente dos Estados Unidos. Como parte dessa cruzada, em 2022, seu governo aprovou a Lei dos Chips, que prevê, entre outras questões, incentivos de US$ 53 bilhões. Parte desses recursos foi destinada, por exemplo, para a própria Samsung, que, em abril desse ano, teve acesso a um incentivo de até US$ 6,4 bilhões para construir uma fábrica de chips no Texas. Antes, o governo americano já havia concedido US$ 6,6 bilhões para fábricas da TSMC no Arizona. Outra empresa beneficiada por esse pacote foi a Intel. Em março, a companhia assegurou US$ 19,5 bilhões em subsídios dentro do seu plano de investir até US$ 100 bilhões na construção e expansão de fábricas de semicondutores nos estados do Arizona, Oregon, Ohio e Novo México. Medidas semelhantes vem sendo tomadas em países como China, Japão e também na Europa. No Velho Continente, por exemplo, a Lei Europeia de Chips, aprovada em 2023, prevê € 43 bilhões (US$ 230 bilhões) em subsídios para o desenvolvimento dessa indústria.
Fique Por Dentro
O market share da Coreia do Sul na indústria global de chips é de 1% Os EUA têm um pacote de US$ 53 bilhões de incentivos para o setor A Europa aprovou subsídios de US$ 230 bilhões para essa indústria
https://w3b.com.br/na-coreia-do-sul-um-arsenal-de-us-19-bilhoes-em-chips/?feed_id=11220&_unique_id=666255f8296eb

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Marks não está disposto a “conversar” com a inteligência

Cofundador da Oaktree Capital, gestora com US$ 189 bilhões de ativos sob gestão, Howard Marks ostenta uma longa ficha de serviços prestados no universo dos investimentos, o que lhe rendeu uma fortuna estimada em US$ 2,2 bilhões e admiradores ilustres e confessos, como Warren Buffett. Com esse currículo, o autor do livro "O mais importante para o investidor" tem sido uma figura recorrente em eventos promovidos no Brasil. Sua “presença” mais recente, via videoconferência, aconteceu na terça-feira, 2 de abril, no Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI. Em virtude de problemas de áudio, suas primeiras palavras não puderam ser ouvidas pelas mais de 5.000 pessoas presentes no Grant Hyatt Hotel, em São Paulo. Alguns poucos segundos depois, resolvido o problema, ele brincou: “Não sou uma IA”. Bom humor à parte, Marks não mostrou o mesmo ânimo quando questionado sobre a onda da inteligência artificial sob a ótica da Oaktree Capital. Ao que tudo indica, ele não parece estar tão disposto a “conversar” com esse hype. Ao menos neste momento. “Bom, nós usamos IA em nossos processos, principalmente para organizar dados. Essa é a sua melhor aplicação no momento”, afirmou. E acrescentou: “mas não investimos em IA, não investimos em tecnologia e não investimos em ações. Isso não está afetando a nossa tese.” Na sequência, ele não afirmou categoricamente que o boom da IA é uma bolha. Mas falou sobre a natureza das “modas” do mercado, ao ressaltar que o fato de que algumas empresas serão bem-sucedidas passa a impressão de que todos os ativos valham a pena, como se fosse um bilhete de loteria. Marks fez então uma referência à bolha pontocom, que estourou no fim da década de 1990. Ele ressaltou que, antes disso acontecer, o mantra era de que a internet mudaria o mundo e qualquer empresa do setor poderia ser extremamente valiosa. “O The Wall Street Journal, no fim de cada bolha, tem um pequeno box em sua primeira página listando algumas das ações que foram afetadas”, afirmou. “E, na bolha tech, as ações caíram mais de 99%. A maioria delas, 100%.” Ele destacou ainda que, em ondas dessa magnitude, muitas pessoas, impedidas de investirem na ação daquela que, eventualmente, será a grande vencedora daquela corrida, pelo papel estar mais valorizado, acabam optando por um outro ativo, sem pesar fatores importantes nessa escolha. “A pessoas não calculam os ganhos potenciais ou não sabem como fazê-lo. Talvez elas apenas coloquem dinheiro nisso porque se encaixa no mantra do dia”, disse Marks. “É disso que as bolhas são feitas. São preços ou ativos irracionalmente altos, mas que realmente não têm valor tangível. Ou boa parte não tem.”
Fique Por Dentro
Em ondas como a da IA, muitas pessoas não conseguem escolher as vencedoras Algumas empresas bem-sucedidas passam a impressão de que todas também serão
https://w3b.com.br/marks-nao-esta-disposto-a-conversar-com-a-inteligencia/?feed_id=12165&_unique_id=6660da880a063

quinta-feira, 16 de maio de 2024

A IA está gerando uma guerra por talentos nas big techs (e Musk teve de abrir a carteira)

A disputa por talentos entre as empresas de tecnologia se tornou mais intensa com as inovações ligadas à inteligência artificial (IA). No mais novo episódio dessa guerra por profissionais de tecnologia, Elon Musk decidiu abrir a carteira. Nos últimos meses, o bilionário sul-africano disse que tem visto alguns engenheiros da Tesla sendo “agressivamente recrutados com ofertas massivas de compensação” por outras empresas. Entre elas, a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, que recebeu mais de US$ 10 bilhões da Microsoft para expandir sua operação. “Essa tem sido a mais louca guerra de talentos que eu já vi”, escreveu o empresário em sua conta no X, na última quarta-feira, em resposta a uma reportagem do The Information que mostrava que o cientista de dados Ethan Knight estava deixando a montadora. Knight havia recebido uma proposta da OpenAI. Para evitar perder o profissional especializado em machine learning, Musk o convenceu a se juntar à operação da xAI, sua startup de inteligência artificial. “Era a xAI ou a OpenAI”, escreveu o bilionário em sua conta no microblog. Em uma solução de mais longo prazo, Musk diz que a Tesla está aumentando o salário dos seu engenheiros. Mas não informou detalhes sobre como está fazendo isso e nem o valor das propostas que os profissionais vêm recebendo de concorrentes do setor de tecnologia. Musk não é o único que tenta evitar a saída de seus profissionais de inteligência artificial. Em fevereiro, Aravind Srinivas, CEO da Perplexity AI, afirmou que o Google – que comanda a startup – estava quadruplicando o salário de alguns profissionais da companhia. Profissionais de IA estão em alta no mercado. No ano passado, a Netflix começou a recrutar um gerente para lidar com a tecnologia e ofereceu um salário anual que poderia chegar a até US$ 900 mil. Enquanto alguns funcionários estão valorizados, outros correm o risco de perderem o emprego. Foram mais de 50 mil demissões no mercado de tecnologia em 2024, segundo layoffs.fyi. Se continuar nesse ritmo, o número de demissões pode se aproximar do registrado em 2023, quando 240 mil pessoas perderam o emprego no setor. No Brasil, uma análise da consultoria Robert Half destacou alguns profissionais que estão em ascensão com os adventos da inteligência artificial. Entre elas: gerente de transformação digital, engenheiro de prompt, desenvolvedor de modelos, entre outros. Ainda assim, a consultoria lembra que “o mercado de trabalho contemporâneo é extremamente dinâmico” e “muitos cargos que estão hoje em destaque não existiam anos atrás, assim como algumas profissões também podem desaparecer” com o avanço da tecnologia.
https://w3b.com.br/a-ia-esta-gerando-uma-guerra-por-talentos-nas-big-techs-e-musk-teve-de-abrir-a-carteira/?feed_id=5193&_unique_id=6646128f831e3

sábado, 27 de abril de 2024

Por que o ex-CEO do PayPal (e agora na Valor Capital) teme a inteligência artificial

SUNNYVALE – Depois de mais de nove anos no comando do PayPal, o americano Dan Schulman foi anunciado na última segunda-feira, 8 de abril, como o novo managing partner da Valor Capital, gestora criada em 2011 que tem em seu portfólio startups como CloudWalk, Wellhub (antiga Gympass), Loft, Sami, entre outras.

No anúncio feito pela gestora na segunda-feira, Scott Sobel, fundador da gestora, afirmou que o novo managing partner vai dedicar dois a três dias por semana à função e ficará alocado em Palo Alto. Ele terá como missão alavancar novos negócios da empresa e trabalhar ao lado dos fundadores de startups que já estão no portfólio.

Ao buscar novos investimentos para a gestora, Schulman terá pela frente uma leva de startups que usam (e, por vezes, abusam) do termo inteligência artificial em seus modelos de negócios. A tecnologia, porém, gera certo receio no agora investidor de venture capital.

Entrevistado durante um painel no Brazil at Silicon Valley, evento realizado em Sunnyvale, na Califórnia, Schulman fugiu do típico discurso otimista sobre a inteligência artificial e citou alguns problemas que serão causados pelo avanço da tecnologia.

“O desemprego vai aumentar drasticamente”, afirmou o novo managing partner da Valor Capital. Segundo ele, ainda que novos empregos serão criados, haverá uma distância de tempo entre as profissões que serão extintas e os novos trabalhos que surgirão. “Essa atualização do conjunto de habilidades será feita em algum momento.”

Schulman diz que a onda de demissões vai ocorrer porque as companhias vão precisar fazer isso para se tornarem mais eficientes e operarem com um custo menor. “As companhias vão reduzir entre 15% e 35% o custo da estrutura nos próximos três anos”, disse. “Você terá menos pessoas e que irão produzir mais.”

O descasamento entre as demissões e a criação de novas profissões gera um problema de escala nacional. No longo prazo, Schulman aponta que o desemprego pode fazer com que os governos precisem controlar o câmbio e a taxa de juros e deixar os cidadãos mais insatisfeitos com seus governos.

Para além das demissões, Schulman citou o fator de segurança digital como outro ponto de alerta. “Hoje há dois tipos de empresas: aquelas que foram hackeadas e aquelas que não sabem que foram”, disse.

Ele citou os avanços em deep fakes como um problema a ser enfrentado pelas companhias, principalmente do setor financeiro. “A indústria está massivamente preocupada com a aceleração dessas tecnologias”, afirmou. “Todo mundo tem clipe de voz em algum lugar na internet e leva apenas 15 segundos para que alguém consiga imitar aquela voz.”

Schulman prevê que a inteligência artificial deverá avançar de forma acelerada em 2024 e que novos modelos deverão ser criados até o fim do ano. “As pessoas vão precisar se acostumar em relação ao quão avançados esses sistemas serão”, afirmou. “Estamos na beira de uma revolução tecnológica.”

https://w3b.com.br/por-que-o-ex-ceo-do-paypal-e-agora-na-valor-capital-teme-a-inteligencia-artificial/?feed_id=4131&_unique_id=662d1b223771e